04/05/2026 | 08:20 | ASCOM | SDC
El Niño antecipado: Santa Catarina deve enfrentar inverno mais chuvoso e com menos episódios de frio intenso
Foto: Thiago Kaue / SecomGOVSC

O inverno catarinense de 2026 promete fugir dos padrões históricos. Especialistas reunidos no último Fórum Climático Catarinense — que congregou mentes da Defesa Civil, Epagri/Ciram, AlertaBlu, IFSC e UFSC — confirmaram que o fenômeno El Niño está se desenvolvendo com uma rapidez surpreendente. Embora a previsão inicial apontasse sua chegada para a primavera, os sinais do aquecimento das águas do Oceano Pacífico já devem ser sentidos em pleno julho, alterando significativamente a dinâmica climática do estado nos próximos meses.

O fenômeno, que se caracteriza pela elevação da temperatura do Pacífico Equatorial em pelo menos 0,5°C por um período prolongado, já tem mais de 80% de chance de se estabelecer entre junho e agosto. Para Santa Catarina, o impacto imediato dessa configuração é a quebra do regime de chuvas e temperaturas. Na prática, o El Niño atua como um "combustível" para a atmosfera no Sul do Brasil, favorecendo precipitações acima da média e dificultando a permanência de massas de ar polar, o que resulta em um inverno com menos dias de geada e frio rigoroso do que o habitual.

A transição começará a ser percebida de forma gradual. Em maio, o estado ainda convive com chuvas irregulares e volumes abaixo da média, mesmo com a passagem cíclica de frentes frias e ciclones extratropicais. No entanto, a virada de chave está prevista para junho. Se em anos normais os acumulados do bimestre junho-julho ficam entre 100 mm e 150 mm, as projeções atuais indicam que o estado ultrapassará esses índices com facilidade, enfrentando temporais mais frequentes e intensos à medida que o El Niño ganha corpo.

A meteorologista Nicolle Reis, da Secretaria de Proteção e Defesa Civil, faz um alerta importante sobre a intensidade do fenômeno, que pode atingir anomalias superiores a 1,5°C na primavera. Segundo ela, embora um El Niño forte não seja garantia matemática de desastres, ele cria um ambiente atmosférico muito mais vulnerável a eventos extremos. É um cenário de atenção, especialmente para o trimestre de setembro a novembro, quando a influência do fenômeno atinge o seu ápice na região Sul.

Quanto aos termômetros, o rigor típico da estação será mais passageiro. Maio ainda trará o declínio gradual das temperaturas e junho poderá registrar marcas abaixo de 10°C em diversas regiões, mas essas incursões de ar frio tendem a ser rápidas. A tendência é que o domínio de temperaturas mais elevadas prevaleça, consolidando um inverno mais "morno" e úmido, preparando o terreno para uma primavera que exigirá monitoramento constante das autoridades e da população catarinense.

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Publicado em 22/05/2026 as 08:47