20/05/2026 | 17:34
Servidores de São Bento do Sul decretam estado de greve após protestos e polêmica sobre salários
Foto: Sindicado dos Servidores

A possibilidade de uma greve geral dos servidores públicos municipais de São Bento do Sul ganhou força nesta semana. Em assembleia realizada na praça central na última terça-feira (19), a categoria aprovou o "estado de greve" — uma medida que funciona como um último alerta à administração municipal, indicando que as atividades podem ser paralisadas caso as negociações não avancem nos próximos dias.

O clima de insatisfação se intensificou após o prefeito Antonio Tomazini (PL) enviar à Câmara de Vereadores um pacote de projetos de lei que, segundo o sindicato da categoria, retira direitos históricos dos trabalhadores. Entre as medidas mais criticadas está a alteração nas férias dos professores, que passariam de 45 para 30 dias, transformando o restante do período em recesso remunerado — o que elimina o recebimento do terço constitucional de férias sobre esses 15 dias. O sindicato também aponta o não pagamento do Piso Nacional do Magistério, plantões considerados ilegais para atendentes, corte de insalubridade e a retirada de merendeiras das cozinhas escolares, além de queixas sobre o sistema de vale-alimentação, que teria pouca aceitação no comércio local.

Protesto e divergência de valores

Antes da assembleia, um grupo de professores realizou um ato em frente à prefeitura com gritos de "valorização". O estopim para o protesto foi um vídeo publicado pelo prefeito nas redes sociais, no qual ele afirmava que os professores do município ganham mais de R$ 8 mil por mês.

A declaração gerou forte reação entre os educadores. Um professor, que preferiu não se identificar, contestou a fala do chefe do Executivo, explicando que esse valor só se aplica a profissionais no topo da carreira, com décadas de serviço, pós-graduação, mestrado ou doutorado, o que não reflete a realidade da maioria.

A contradição ganhou força com a publicação, no mesmo dia, de um edital de processo seletivo emergencial para a contratação de professores temporários (ACTs). O documento oficial traz salários que variam entre R$ 3.719,13 e R$ 4.778,37 — valores abaixo do que foi divulgado pelo prefeito no vídeo e também inferiores ao Piso Nacional do Magistério, fixado em R$ 5.130,63.

Impasse nas negociações

Durante o encontro na praça, os servidores definiram os membros de uma comissão para tentar abrir um canal de diálogo com a prefeitura. No entanto, o cenário é de impasse. Segundo o presidente do sindicato, Edemilson Benedito de Assis, o prefeito não aceita negociar diretamente com a categoria desde fevereiro de 2025, quando os trabalhadores rejeitaram em assembleia a proposta de reajuste apresentada pelo município na época.

ÚLTIMAS NOTÍCIAS
Acidente mobilizou equipes do Corpo de Bombeiros Militar no início da manhã desta sexta-feira; condutor do veículo não ficou ferido.
Publicado em 22/05/2026 as 08:47