29/05/2026 | 20:10
Santa Catarina registra queda do tabagismo, mas aumento dos cigarros eletrônicos entre jovens
ASCOM | SES

Santa Catarina registrou uma expressiva redução de 38,7% no número de fumantes adultos no último ano, consolidando a tendência nacional de queda no consumo de tabaco. O avanço é resultado direto do fortalecimento de políticas públicas voltadas à prevenção e da oferta de tratamentos gratuitos na rede pública. O balanço foi divulgado pela Secretaria de Estado da Saúde (SES) em virtude do Dia Mundial Sem Tabaco, celebrado neste domingo, 31 de maio, que este ano traz como tema "Desmascarando o apelo: combatendo a dependência de nicotina e tabaco". Apesar dos bons números com o cigarro tradicional, as autoridades acendem o alerta para um novo e preocupante desafio: a popularização dos cigarros eletrônicos entre adolescentes.

A eficácia das ações de acolhimento no estado ficou evidente no balanço de atendimentos. Em 2025, mais de 21 mil pessoas procuraram ajuda para abandonar o vício em Santa Catarina — um salto significativo em relação a 2024, quando 14,4 mil cidadãos buscaram o serviço. Desse total mais recente, quase 17,8 mil pacientes iniciaram o tratamento e mais de 7,5 mil já conseguiram parar de fumar. O perfil do público que busca apoio revela uma presença maior de mulheres, que somaram 11.002 atendimentos, frente a 10.186 homens. A grande maioria dos pacientes está na faixa etária produtiva, entre 18 e 60 anos.

Paralelamente ao recuo do tabaco convencional, o avanço dos dispositivos conhecidos como vapes ou pods preocupa os especialistas. Um levantamento feito pelo projeto de extensão multidisciplinar ERGOTOX, da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), em cinco escolas públicas de Florianópolis, revelou que 27,4% dos estudantes já experimentaram cigarros eletrônicos. O dado mais alarmante é que menos da metade desse grupo havia testado o cigarro comum, o que prova que os jovens estão iniciando a dependência diretamente pelos aparelhos eletrônicos, atraídos pela curiosidade, sabores variados e forte apelo social.

O perigo desses dispositivos vai além da nicotina. Análises laboratoriais realizadas em materiais apreendidos no estado detectaram milhares de substâncias químicas nocivas e até mesmo a presença de anfetamina em alguns aparelhos. A coordenação estadual do Programa de Controle do Tabagismo reforça que o hábito continua sendo um dos principais fatores de risco para infartos, problemas respiratórios crônicos e diversos tipos de câncer, tornando as ações de conscientização nas escolas ainda mais urgentes, já que muitos adolescentes avaliados já demonstram sinais de dependência e desejo de interromper o uso.

Atualmente, o suporte para quem deseja vencer o vício é amplamente acessível no estado, estando disponível em cerca de 84% dos municípios catarinenses. O tratamento é oferecido gratuitamente por meio de grupos de apoio e acompanhamento individualizado nas Unidades Básicas de Saúde (UBS). Casos mais complexos, que envolvem comorbidades como ansiedade e depressão, recebem atendimento especializado nos Centros de Atenção Psicossocial (CAPS) e em hospitais credenciados. Para dar o primeiro passo, a orientação da Secretaria de Estado da Saúde é que o cidadão procure a UBS mais próxima ou a Secretaria de Saúde de seu município para se informar sobre os locais de atendimento.

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