Santa Catarina emite Alerta Climático e mobiliza ações diante de 90% de chances de El Niño forte neste inverno
As projeções discutidas no 242º Fórum Climático Catarinense acenderam o sinal de alerta para a infraestrutura de Santa Catarina, apontando que a probabilidade de formação do fenômeno El Niño neste inverno subiu para 90%. O encontro, que reuniu meteorologistas da Secretaria de Estado da Proteção e Defesa Civil e da Epagri/Ciram, além de pesquisadores da UFSC e do IFSC, confirmou que a atmosfera já responde de forma clara ao aquecimento dos oceanos. Com base nas atualizações do Centro de Previsões Climáticas da NOAA (CPC/NOAA), a tendência é de consolidação do fenômeno ainda em 2026, com previsões de que ele alcance uma intensidade de forte a muito forte entre a primavera e o verão de 2026/2027.
Os impactos sobre o território catarinense devem se manifestar de maneira gradual ao longo dos meses de inverno. Embora esta seja, historicamente, a estação mais seca no estado, a influência do El Niño tende a elevar a frequência das chuvas e a atuação de sistemas de instabilidade atmosférica. O mês de junho deve começar com períodos de tempo firme, mas a expectativa é de maior instabilidade na segunda metade do mês, mantendo volumes de precipitação dentro da média histórica e temperaturas típicas da época, com episódios de quedas acentuadas causadas por massas de ar frio.
O cenário deve mudar de figura a partir de julho e agosto, quando os sinais do fenômeno ficarão mais evidentes. Mesmo sendo agosto, climatologicamente, um dos meses menos chuvosos do ano, a interferência do El Niño deve elevar os volumes de chuva acima da média histórica. Esse excesso de umidade aumenta significativamente o risco de alagamentos, inundações e deslizamentos de terra em episódios de chuva persistente. Paralelamente, os termômetros também devem registrar marcas ligeiramente acima da média, o que não anula o frio, mas indica períodos de baixas temperaturas mais curtos e noites menos rigorosas do que o habitual.
Diante do prognóstico de eventos climáticos extremos, o Governo de Santa Catarina acionou um robusto plano de contingência e prevenção a desastres. Entre as medidas inéditas, destaca-se a assinatura do Decreto de Alerta Climático, realizada em 18 de maio. A normativa permite o pré-posicionamento estratégico de equipes de socorro em áreas vulneráveis, além da contratação preventiva de maquinários e insumos humanitários, estabelecendo ainda critérios objetivos e prazos rígidos para a decretação de situação de emergência ou calamidade pública.
O plano operacional ganha corpo por meio da Operação Primavera 2026, uma força-tarefa que já mobiliza os 295 municípios catarinenses em frentes de trabalho focadas no desassoreamento de rios, limpeza de córregos e sistemas de drenagem urbana, vistorias em áreas de risco e simulações de evacuação de moradores. Para dar agilidade às respostas locais, o estado realizou a entrega de kits tecnológicos e logísticos contendo veículos 4x4, drones, computadores, tablets e televisores para as defesas civis municipais. No quesito controle de cheias, houve avanço em obras estruturais de manutenção e reforma em barragens de contenção nas regiões historicamente mais afetadas.
Toda a estratégia de mitigação é amparada por uma infraestrutura de monitoramento que conta com 172 estações hidrometeorológicas enviando dados em tempo real a cada 15 segundos, além de quatro radares meteorológicos cobrindo o estado e uma equipe de meteorologistas em plantão permanente. O Fórum Climático Catarinense e a Defesa Civil de SC continuarão avaliando a evolução do El Niño nos próximos meses para atualizar as previsões e refinar as ações governamentais.
Paralelamente às ações do Estado, a Secretaria de Estado da Proteção e Defesa Civil reforça a importância da autoproteção e orienta a população a acompanhar diariamente os boletins e avisos meteorológicos oficiais. Durante os períodos de chuva forte, as recomendações incluem evitar o trânsito em áreas alagadas, locais próximos a rios ou encostas e redobrar o cuidado nas rodovias devido à baixa visibilidade. Em caso de vendavais, a orientação é buscar abrigo seguro longe de janelas e objetos que possam ser lançados pelo vento. Também é essencial manter-se agasalhado, com atenção especial a idosos e crianças. Moradores de áreas de risco devem monitorar sinais de movimentação de terra, como inclinação de postes e árvores ou fissuras em muros e paredes. Em situações de perigo iminente, a Defesa Civil deve ser acionada pelo telefone 199, e os cidadãos podem se cadastrar para receber alertas por SMS enviando mensagens para o número 40199.